Thursday, February 02, 2006

Um aglomerado de idéias

Ultimamente ando mais desligado das frivolidades e meu lado intelectual trash anda recuando um pouco. Sem muitos filmes no cinema, sem muita informação jornalística. Decidi fazer uma experiência tardia em explorar os limites da minha consciência. Não, não é nada lisérgico e não resolvi começar a fumar maconha ou tomar doses cavalares de LSD, é uma outra viagem: comecei a buscar as intenções políticas em mim e a vontade de mudar o mundo de forma sólida.


Está certo que isso é coisa que façamos quando temos nossos bons 16 anos, mas como no Brasil ter 16 anos significa passar por tudo, menos por um amadurecimento como individuo (espinhas e problemas de aborrecente todos temos em todos os cantos do mundo – vivas aos hormônios!!!).


Pode ser também que eu esteja apenas colocando uma lista de livros também para ser atualizada, minhas leituras ultimamente espelham bem minha consciência e fuga do comum. Estou perto de um estudante de humanas vestibulando ou recém incluso no meio acadêmico, vou lendo coisas como O Príncipe de Maquiavel (preciso fazer uma crônica ainda sobre uma experiência interessante com o nome do livro, confundido, "naturalmente", com O Pequeno Príncipe de Saint Exupèry), Assim falava Zaratrusta de Nietzche e, o mais novo da lista, História das Idéias e Movimentos Anarquistas, de George Woodcock. No caminho eu li um tanto de porcarias, como Reconhecimento de Padrões de William Gibson e O Desfiladeiro do Medo do Clive Barker, mas isso tudo serviu também para apoiar leituras como Eu, O Robô, do gênio Azimov, e releituras, como Neuromancer.


O resultado foi um caldeirão de idéias e vontades , coisas que já me martelavam a cabeça. Lembrei-me de diversas vezes que eu disse “não preciso ter uma religião ou entrar em atividades políticas para mudar o mundo, não é com grandes ações ou com esmolas que farei isso, mas com ações cotidianas, mudando aos poucos o mundo ao meu redor e afetando o resto aos poucos”. Só que eu comecei a reparar que havia me tornado um idealista amargo, desistido de tentar mudar as coisas e quase conformado com o seu lugar contrário e contraditório em um sistema que não achava certo.


Então vários termos novos forma apresentados a mim, as coisas ganharam outro panorama e descobri mesmo que é preciso mudar as coisas quando você não está gostando da maneira que elas estão acontecendo. O mais dolorido é que você pode mudar, basta querer de verdade – não adianta vir com o papo que existem outros interesses envolvidos, pois se você quer fazer algo, você faz, o preço a ser pago é apenas parte da mudança.


Não adianta mudar o cabelo, a roupa e a maquiagem, pois estética só é uma maneira de exteriorizar sua vontade por mudança. Então por que não mudar por dentro? Melhor ainda, por que não mudar as coisas que você acha que estão erradas no mundo? Por que não fazer do seu mundo um lugar melhor?


Tudo isso tem se acentuado por conta das coisas que vejo no meu dia-a-dia: é uma jogatina de influências; lobistas atacando por todo o lado querendo fazer o próximo movimento; é ver o meu dinheiro sendo jogado fora pra pagar favores dos outros; é ver que não há coerência em um pensamento político, mas sim um apanhado de interesses de “onde é que o meu dinheiro vai virar mais”.


Eis a ignição, com certeza, de tudo o que está acontecendo dentro de mim. Não é por nada que a revolta se instala e não é por menos que ela se transforma em desejo por mudança. As perguntas “para onde vai o dinheiro dos meus impostos?”, “é justo a previdência social falida?”, “por que eu pago por saúde e o que tenho é um sistema paliativo?”, “por que não investem em educação, sabendo que educando a população se cria mais mão-de-obra capacitada e eleva-se a autonomia tecnológica?” e por aí vai.


Com essa tempestade de idéias e coisas eu me vi novamente com o espírito idealista! Havia me renovado em mim mesmo. A sensação foi fantástica, como se eu realmente tivesse me redescoberto como agente da mudança. Ficar estático é estar morto, pois não podemos nos entregar a estase, pois ela nos afeta de maneiras nocivas. O cotidiano é triste e deve ser transformado em um mar de novas experiências.


Não adianta, por mais que me falem que estou seguindo por caminhos errados acredito piamente que se eu penso assim tenho que dividir. Estou me sentindo um adolescente novamente, mas desta vez sem os hormônios pentelhos ou mesmo a falta de experiência – o que me acomete é mais profundo e solidário, quer mudar aspectos que não posso fazer sem auxilio.


Então está na hora de dar as mãos, começar a sujar os dedos de tinta e colocar alguns fanzines para correr. Organizar eventos, encontros e tudo o mais.


Ideologia é ótimo, quando não a fazemos dogmática. Longe de mim virar outro Che Guevara, o que quero é que possamos trocar idéias. E vamos fazer isso. Da melhor maneira possível.


Vale pensar a respeito e, muito mais que isso, fazer algo a respeito. Intelectuais só alimentam as massas com palavras, precisamos é de pessoas empurrando os descontentes.

1 Comments:

At 8:47 AM, Blogger Paulo Santiago said...

Que as desilusões que surgirem pelo caminho se tornem a fundação forte do novo, e nunca descrença... existe uma frase atribuida ao sitado no seu post, o Che, que diz: "Os poderosos podem matar uma flor, duas ou até três, mas nunca poderão impedir a primavera" ou algo assim... nos vemos por aí.

 

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