"E com vocês, Punk Creedence Revival Revisited" ou "A volta dos morto-vivos - Parte Suja"
O punk não morreu. Não, ele não morreu mesmo! Sempre fedeu, mas nunca esteve morto. Quando algo já nasce podre e sujo não tem como deixar de feder, é natural. Hoje as coisas estão voltando aos poucos a ser um pouco o que eram há trinta anos atrás, então é natural que a sujeira seja vangloriada pela classe média que está sendo bombardeada pela falta de grana pra pagar uma faxina decente por aí (nem a tal da rampa anti-mendigo do Serra saiu, pra vocês verem como as pessoas gostam de sujeira esparramada por aí).
A juventude sempre gostou de se enfeiar e as coisas vão indo cada vez mais para o lado “sem volta” (pessoalmente eu não faria uma carnificação e nem mesmo um branding – com esse som, só conhaque mesmo, que é mais legal e a ressaca passa depois). Não é preciso mais ir contra os pais e nem mesmo ficar fazendo brinquinho na orelha e furando o nariz com alfinete de fralda. Não é necessário mais ter pústulas saltando para todos os lados e tatuagens feitas por aquele seu amigo que comprou uma maquininha pra fazer tatoo pra todos os colegas menores de idade em troca de birita e da grana da tinta. Você pode ir em um tatuador ou body piercer fazer o estrago em você mesmo, com acompanhamento, cuidados especiais, jóias com metal cirúrgico e uma assepsia de dar inveja aos hospitais públicos (é mais seguro você se furar de piercings e se pintar de tatuagens do que quebrar uma perna e ser atendido pelo SUS).
Não é mais cool usar calças rasgadas, mas é cool estar cheio de acessórios. Bandeiras, piercings, tatoos, pregas, rebites, fivelas, couro, cabelos com muita meleca (chamada por hairdressers – ui – de gel, pomadas e afins), tintura nas madeixas e uma atitude junkie clonando ídolos pop dos anos 70 e 80 (tá, Courtney Love é dos 90, mas ela e seu falecido marido, o Kurt, queriam de todo o jeito serem os novos “Sid & Nancy” – deu no que deu. Espelhar a cidade no modo de vestir é o que há, é cool e é in – podemos aproveitar e batizar isso de “cidadezação estética”, apropriação da poluição visual no modo de vestir, na música ouvida e na atitude, mas como em inglês é mais legal, vamos chamar de “citiezation” (dá até nome de banda ou álbum, olha isso!!!!).
Sugiro a todos começarem a resgatar o espírito do punk, porque é cool ser sujão (afinal, até hoje o Supla consegue ser o Supla, mesmo idêntico ao Billy Idol até agora – inclusive as rugas – , e o João Gordo nunca foi tão mainstream quanto agora – saudades dos Ratos de Porão quando eles chocavam com seu “Papai Noel filho-da-puta”).
Ramones agora é mais legal que antes (afinal, eles não vão soltar nenhum álbum revival ou fazer uma aparição surpresa e relâmpago no Olímpia), banda de garagem toca em todos os lugares pois é cool ter um espaço com som ruim, bebida barata (não ruim, mas barata mesmo, pra todo mundo beber e achar as bandas dos amigos beeeeeem legais) é o que não falta, gente cool e rebelde está lotado por aí e todos os meus amigos agora são true alguma coisa.
É cool ser punk, mas agora não existe mais punk de boutique porque todo mundo assumiu que o punk sempre foi mais boutique mesmo, pelo menos, hoje ser punk é ser honesto.


1 Comments:
O punk original como comportamento durou nem meia dúzia de anos, bem menos. Ele era o que o funk carioca é hoje: algo autêntico e cuja única regra era não precisar pedir licença pra músico algum pra fazer um som. O legal é que o que o punk foi uma semente forte. Se não fosse o punk, a música das últimas 3 décadas seria muito diferente, inclusive a eletrônica. E, se não fossem os zines punks, talvez não teria pensando em inventar algo como um blog. Punk é só um rótulo. A história da humanidade está repleta de punks, entre eles Buda e Cristo. O que vc tá chamando de punk é uma estética residual que voltou à voga. Mas lembre-se: atitude não se compra no shopping e não ganha anúncio na MTV. Como disse o escritor Jon Savage, ser punk é ter um coração limpo, crítico e apaixonado. E querer mudar as coisas. Simples assim. Acho que vc precisa ler um pouco mais sobre punk, meu chapa. A tempo: "Papai Noel" é do Garotos Podres. E o Ratos de Porão nunca foi mainstream, ainda que a persona do Gordo seja. Abraço punk.
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