Troféu Aleatoriedades - Cinema
Framboesa de Ouro é uma distinção por demais sofisticada para uma fita como "Guerra dos Mundos". Ao levantar a poeira dos arquivos do ano que se foi surge majestosa a última incursão (ou seria excursão) de Spielberg no cinema.
É difícil arranjar um blockbuster mais inútil do que este. Uns podem dizer que foi a já notória natureza insípida e inodora da interpretação tomcruisiana. Outros podem ainda sustentar que não havia muito charme no monstrinho que invadiu a terra e só aparece de relance numa cena de porão de uma casa qualquer num remoto ponto da costa leste dos EUA (invasão planetária, tá).
Adotando um corolário da escola mitocôndrica de crítica cinematográfica, diria que faltou foi culhão para direitor e roteirista. Eles deveriam ter sido honestos quando se perguntaram: o que queremos contar? Se não queriam contar nada, que fossem produzir Triassic Park ou AS (Artificial Stupidity), etc. Ok, o filme se dizia baseado no HGWells. Huuum.
Logo Spielberg que gosta de deixar tudo amarradinho. Não era pra ser uma Guerra dos Mundos? O nosso mundo contra que outro mundo? Ninguém respondeu. Por que eles decidiram invadir? Aliás, eles quem? Qual foi a estratégia?? De repente começam a brotar robôs desengonçados dos anos 50 do centro da terra, de preferência onde estava o nosso anêmico protagonista, seu filho chato e sua filha neurótica. Qual a estratégia de extermínio? Onde começou? De onde vinham aquelas ervas daninhas de sangue? E como eles foram derrotados? Tá isso eles explicam quase que de maneira alegórica no finzinho do filme. Ou seja, a narrativa, em off, dos primeiros dois minutos e dos últimos 30 segundos era tudo o que precisávamos saber. No tempo restante podíamos ficar lendo o manual do home theater para saber como melhor equalizar as caixas acústicas pois nem os efeitos especiais pareciam fazer jus ao nome.
Por tudo isso, Guerra dos Mundos é um dos ilustres indicados para o Troféu Aleatoriedades 2005, na categoria Murici de Ouro, os mais toscos do Cinema. Por que Murici? Não, não é o técnico do São Paulo. Murici é uma frutinha brasileira, encontrada no Nordeste que é por si só uma aleatoriedade. Tem um certo ar de fruta silvestre. Mas vai fazer um suco disso, pra você ver: tem gosto de parmesão!!!


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